Estudo aponta as lesões mais comuns
nos atletas de final de semana
Participar de uma partida de futebol society depois do expediente, modelar o corpo numa academia ou jogar tênis com os amigos no clube podem ser atividades arriscadas quando não se tomam precauções mínimas. O advogado paulista José Paulo Abrahão, 48 anos, quase morreu por causa do esforço feito durante uma simples pelada. Depois da partida, sentado no vestiário, ele começou a suar frio e sentir uma forte dor no peito. Dois dias depois, estava na mesa de cirurgia para se submeter a um cateterismo. "Foi uma surpresa, pois eu achava que estava em boas condições", diz ele.
Os freqüentes episódios de contusões envolvendo atletas de final de semana motivaram um grupo médico a realizar uma pesquisa inédita sobre o assunto no Brasil. Durante um ano, uma equipe de doze especialistas comandada pelo ortopedista Moisés Cohen, do Centro de Traumato-Ortopedia do Esporte da Universidade Federal de São Paulo, entrevistou no país 3.000 esportistas, divididos em doze diferentes modalidades. Todos eles eram amadores, com idade entre 13 e 76 anos. Do trabalho resultou um diagnóstico completo sobre os tipos de contusão mais comuns que afligem esse grupo. As conclusões são surpreendentes. Comparados aos profissionais que praticam os mesmos esportes, os atletas de final de semana apresentaram um índice de lesões 4% superior ao deles. Parece um contraste pequeno, mas ele é significativo. Basta lembrar a enorme diferença da carga de treinamentos e competições entre os dois grupos. "Os amadores se machucam com mais freqüência porque desconhecem seus limites físicos, não dominam a mecânica dos esportes e utilizam equipamentos inadequados durante as atividades", afirma Moisés Cohen.
Perto do limite — O caso do advogado José Paulo, que quase morreu fulminado por um infarto jogando futebol, é um exemplo típico de desconhecimento dos limites físicos. Mesmo com um histórico familiar preocupante — o pai morreu de problemas do coração e seus dois irmãos receberam pontes de safena —, José Paulo freqüentava os campos sem nunca ter feito um check-up. Acabou descobrindo que era portador do problema durante o jogo. Hoje, ele continua praticando o esporte, mas sob orientação médica. "A qualquer sinal de dor, corro ao hospital para fazer exames", diz ele. De acordo com um levantamento realizado por Renato Lotufo, fisiologista do Corinthians e da seleção brasileira, problemas semelhantes podem ocorrer com outros jogadores. Durante uma pesquisa realizada recentemente em São Paulo, ele monitorou o coração de 63 praticantes de futebol society com idade acima de 30 anos. A média de freqüência cardíaca registrada pelo grupo era de 166 batimentos por minuto, o que corresponde a 85% da freqüência máxima prevista para esses atletas. Ou seja, todos correm muito tempo perto do limite físico. "Uma pessoa que desconhece seu problema cardíaco pode descobrir a deficiência da pior forma, sofrendo um ataque durante o jogo", afirma Lotufo.
Muitas vezes o problema não surge por desgaste excessivo da máquina do corpo humano, mas sim devido à escolha inadequada dos equipamentos utilizados na atividade física. Ao observar um grupo de corredores, os especialistas do Centro de Traumato-Ortopedia constataram que aproximadamente 30% deles utilizam o mesmo par de tênis há mais de seis meses nos treinamentos. É uma atitude pouco recomendável. Depois desse período, o piso do calçado não absorve mais com a mesma eficiência os impactos da atividade. Como resultado, os joelhos sofrem tanto quanto a suspensão de um carro sem amortecedores. A professora pernambucana Myrian Falcão, 30 anos, é uma das vítimas desse processo. Ela foi obrigada a se submeter a três meses de fisioterapia para curar uma inflamação no tendão do joelho surgida depois de quinze anos de corridas no calçadão da Avenida Boa Viagem, no Recife. "Eu entrei na onda de fazer esporte, mas nunca usei um tênis com a proteção adequada", afirma.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Amanhã é dia de Jogo! - Futebol propaleano
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